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Parque Lage – Projeto de Visita Guiada: A história além do Parque

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Refúgio de inúmeros Cariocas para um piquenique, passeio de um final de semana, ensaios fotográficos, ponto de encontro de famílias para um delicioso brunch ou almoço.

Além de ser um dos principais pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro, o Parque Lage faz parte também da identidade do cotidiano dos Cariocas, sendo muito visitado principalmente durante os finais de semana.

Mas o gigante jardim também é muito visitado durante a semana. Seus principais frequentadores neste período, são os alunos e professores da Escola de Artes Visuais – EAV, localizada no interior do casarão e que oferece inúmeros cursos.

O que quase ninguém sabe, é que além das diversas possibilidades de aproveitar o Parque Lage, é possível também conhecer um pouco mais da sua história através do projeto de Visita Guiada.

O projeto, desenvolvido recentemente, é um convite a população a usufruir de modo mais efetivo, da utilização dos espaços públicos, criando uma conexão com a natureza e demonstrando outras formas que compõem um pouco do que é o processo de viver.

A história do Parque se inicia em meados de 1575, período este em que Índios Tupis eram residentes da região, e que tempos depois se tornará uma fazenda de Engenho de Cada de Açúcar, com a chegada dos Portugueses ao Brasil.

Na época, a Lagoa Rodrigo de Freitas ficava às margens do Parque, e foi conhecida pelos Índios como “Sacopenapã” – Lagoa de raízes chatas, em Tupi-Guarani. O Engenho Del Rey, pertencia a Antônio Salema, governador do Rio de Janeiro no século XVI.

A Fazenda de Engenho começava na área que hoje abriga o jardim do Parque. Porém, depois de tanto tempo de cana de açúcar, as terras se tornaram infrutíferas. Até que o novo morador da época decidiu solicitar ao paisagista Inglês John Tyndale, para realizar o projeto denominado de “Jardim Romântico”.

O Jardim Romântico foi pensado para que as pessoas pudessem desfrutar do espaço, focando nas relações humanas, retratando acontecimentos como a música, a poesia, a literatura. O objetivo era permitir que todos pudessem ter um espaço de lazer voltado para a prática de momentos simples, como por exemplo admirar a natureza e/ou receber amigos, e que contribuem para tornar a experiência do viver, ainda mais especial. E sem dúvidas, ao caminhar pelo Parque, é notável a paz que o local proporciona, apenas ao som da natureza.


A visita guiada se inicia na região do Casarão. Logo depois, segue-se para o Aquário, que também foi construído para compor o projeto do “Jardim Romântico”.

Em sua estrutura externa, a similaridade ao tronco de árvores deixa o local com mais um toque de natureza. Já na parte interna, são 12 tanques que abrigam diversas espécies de peixes, sendo o maior deles com capacidade para seis mil litros.

Caminhando um pouco mais a frente, encontra-se o Recanto dos Namorados, um local utilizado principalmente para reunião entre amigos e também piqueniques.

Mas além do Recanto, existem outras áreas reservadas para a pratica destas atividades. No site, é possível consultar a descrição detalhada dos espaços disponíveis.

Por se tratarem de espaços compartilhados, é importante evitar o uso de determinados itens que gerem incomodo para outros visitantes.

Itens como bexigas/bolas de aniversário por exemplo, também não são autorizadas pela grande presença de animais silvestres no local, que já morreram asfixiados por ingerirem.


No local, também há a Trilha do Corcovado, mais uma ótima opção para curtir a cidade, e que permite visualizá-la por outros ângulos belíssimos.

A Trilha com início pelo interior do Parque Lage, possui nível moderado e têm um percurso total aproximado de 2 horas, com inúmeras marcações no seu decorrer e também ponto de apoio ao visitante.


Uma torre no estilo castelo de princesas e uma gruta também foram projetados para compor o projeto paisagístico do “Jardim Romântico”.


Não só uma visita, mais um passeio que também te permitir conhecer um pouco mais da história por trás do lindíssimo Parque público. Bem próximo da região da gruta existente no local e do Casarão principal, há também um Muro simbólico e atrás dele, a Lavanderia dos Escravizados, que utilizavam o local com água da Lagoa Rodrigo de Freitas, que desembocava ali. Tanto o muro, quanto o tanque, são as únicas estruturas originais da época do Brasil Colonial.


Os minutos finais da visita se dão no Casarão do Parque, e que recebe diariamente inúmeras pessoas, seja para realização de cursos ou que estão em busca de aproveitar momentos por ali.

O casarão também foi construído posteriormente à época da Fazenda de Engenho, e faz parte da história de amor entre Henrique Lage, um armador que trabalhava em construção naval, e Gabriela Besanzoni, uma cantora lírica Italiana.

Em seu pedido de casamento à Gabriela, Henrique prometeu construir para ela um castelo, ao estilo dos castelos italianos. Mas o seu presente, foi muito mais além que um simples Castelo. Toda a acústica do casarão foi afinada ao tom da voz de Gabriela, e também foi construída uma sala especialmente para ela cantar.


A construção que durou 10 anos, tem em sua estrutura pedras e mármores encaixadas, originalmente da Itália, assim como azulejos e ladrilhos. Em seu interior, pinturas decorativas nos salões, assinadas por Salvador Paylos Sabaté, completam a arquitetura do espaço.


Gabriela e Henrique Lage moraram por 10 anos no Casarão e não tiveram filhos. Com o falecimento de Henrique, Gabriela acabou retornando para a Itália. Anos depois, o Banco do Brasil e outros órgãos tomaram os imóveis como parte do pagamento de dívidas, adquiridas por Henrique antes mesmo de adoecer e falecer.

Até que posteriormente, um grupo de pesquisadores e artistas conseguiram retomar o Parque Lage, e o parque se tornou público.
Em 1975, surge a Escola de Artes Visuais que foi fundada pelo Rubens Guerchman, um artista plástico brasileiro, descendente de suecos, junto com alguns amigos que vivenciavam a arte e a poesia.

Coordenado por Kátia Rosendo, o projeto é Visita Guiada não só proporciona conhecimento de parte da nossa história, mas também é uma forma de transmitir a sociedade a mensagem de que existem inúmeras oportunidades de buscar novos modos de se viver a vida, e que vão além de um período de férias.

Kátia Rosendo, Coordenadora do projeto “Visita Guiada”

Como realizar a visita guiada?

Para realização de uma visita guiada, basta realizar o agendamento através do visitas.eavparquelage@gmail.com ou presencialmente na secretaria da EAV, até meia-hora antes do horário de início.

A visita guiada possui a duração de aproximadamente 1 hora, e poderá ser agendada para as 14h de terças às sextas ou as 12h30 durante os sábados.

Valor individual: R$30,00 reais por pessoa

Para visitas em grupo, a partir de 15 pessoas, o agendamento deverá ser realizado com antecedência, com um sinal de 50% na secretaria da escola.

Para grupos escolares, é concedida gratuidade para até 3 professores.

No ato do agendamento, é importante mencionar qual será o foco da visita, para que ela seja realizada de acordo com o objetivo do visitante.

Em caso de visitas especiais ou necessidades de atendimentos em inglês, o agendamento deverá ser realizado em até 3 dias antes da data escolhida para visitação.

Para mais informações e valores atualizados, acesse o site do Parque Lage.

Como chegar?

O Parque Lage está localizado na Rua Jardim Botânico, 414, no bairro do Jardim Botânico, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, bem próximo do Jóquei Clube, da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Vista Chinesa e também do Jardim Botânico.

A melhor opção de chegar, é através de transporte público, já que a região possui um intenso tráfego, principalmente durante os finais de semana, devido a grande concentração de pontos turísticos e também não há estacionamento disponível no Parque para visitantes.

Para quem prefere ir de carro, existem opções de estacionamento nos arredores do Jóquei Clube e Lagoa.

Leia mais sobre o projeto:

Conhecer o Parque Lage por uma outra perspectiva, foi mais uma das ações do grupo de Blogueiros Cariocas da RBBV – Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem, e que compõem o projeto #RIOUnico, voltado para a divulgação do turismo na cidade do Rio de Janeiro e suas inúmeras opções de lazer, não só para turistas, mas também para todos os moradores e frequentadores dos da cidade. Afinal, sempre tem um cantinho pela cidade maravilhosa especial, que não é muito explorado ou que merece sempre uma visita.

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